WORLD ANTHROPOLOGICAL UNION

CONGRESS 2024​

SELECTED PANEL

( pn105 )

Beyond the museum: Reframing restitution debates in a postcolonial context

Organizers

    Sophie Schasiepen

    German

    University of the Western Cape

    Face to Face/ On Site - Presence

    Mary Mbewe

    Zambia

    Mulungushi University, Zambia

    Online - Presence

    Suzana Sousa

    Angola

    University of the Western Cape

    Face to Face/ On Site - Presence

IUAES Affiliation: Museums and Cultural Heritage

Keywords:

restitution, Africa, museums, postcolonial society, collective memory

Abstract:

In this “era of restitution” (Rassool 2018), the number of academic and artistic projects tackling the reorganisation of anthropological collections, conducting provenance research and establishing databases of cultural heritage has grown exponentially. However, the ongoing effects of the ‘coloniality of power’ (Quijano 2000) are often shaping the ways in which such projects are conceived and realised. Funding, access, education and publishing infrastructures are privileging the ‘Global North’ (see also Moiloa 2022). This has an impact on the epistemic and ontological foundations and goals of projects working towards the restitution of knowledge and cultural heritage. This panel encourages contributions that assess these issues from an African perspective. The colonial legacy of the anthropological museum on the continent is twofold: as a means of control and governance (Rassool 2015) and as means of cultural guardianship (Van Beurden 2015). On the one hand, the museum acted as a scientific laboratory, serving the colonial administration by providing knowledge used to control. Simultaneously, it removed knowledge from local communities, claiming to save African authenticity from colonial modernity. As such, museums have been called “public archives” of a “system of appropriation and alienation” (Sarr/Savoy 2018, 2). The interpretation of these archives has been largely shaped by political and economic interests, specifically of the former colonial powers (Nii Kwate Owoo 1970). These colonial narratives were not dismantled by independence or the modern African nation-states. On the contrary, institutional and disciplinary regimes continue to hinder the work of reinterpretation and reintegration of different knowledge systems (Hamilton and Leibhammer 2017). Albeit challenged, the museum maintains its place as a modern colonial institution (Verran 2021). This panel encourages contributions that discuss ways in which current restitution efforts can be turned into endeavours that help overcome the coloniality of the epistemic and ontological foundations of the modern museum. How have community-based educational and exhibition practices opened up new ways of engaging artefacts and society that go beyond the notion of co-curatorship, but are transformative of the museum as a place of knowledge? Which new narratives can be created when material culture is reintegrated into societal and cultural practices that reflect the family Nkisis of the Congo and the Griot practices of West Africa and not the modern exhibitionary complex (Bennett 1995)? How can the debates around the restitution of cultural heritage be shaped in ways that link them to broader social struggles in the post-colony? We invite both case studies that assess completed or ongoing projects and restitutions as well as papers which propose new ways of engaging the restitution of knowledge and cultural heritage.

Portugués

Alem do museu: inserindo os debates sobre restituição num contexto pós-colonial

Nesta “era da restituição” (Rassool 2018), o número de projetos acadêmicos e artísticos abordar a reorganização de coleções antropológicas, conduzindo pesquisas de proveniência e a criação de bases de dados do património cultural cresceu exponencialmente. No entanto, os efeitos contínuos da “colonialidade do poder” (Quijano 2000) moldam frequentemente as formas como tais projetos são concebidos e realizados. Financiamento, acesso, educação e editoras privilegiam o ‘Norte Global’ (ver também Moiloa 2022). Isto tem um impacto sobre os fundamentos epistêmicos e ontológicos e os objetivos de projetos que trabalham para a restituição do conhecimento e do património cultural. Este painel incentiva contribuições que avaliem essas questões a partir de uma perspectiva africana. O legado colonial do museu antropológico no continente é duplo: como meio de controle e governança (Rassool 2015) e como meio de tutela cultural [cultural guardianship] (Van Beurden 2015). Por um lado, o museu funcionou como um laboratório científico, ao serviço da administração colonial fornecendo conhecimento usado para controlar. Simultaneamente, ele extraiu conhecimento das comunidades locais, alegadamente para salvar a autenticidade africana da modernidade colonial. Como tal, os museus têm sido chamados de “arquivos públicos” de um “sistema de apropriação e alienação” (Sarr/Savoy 2018, 2). A interpretação desses arquivos foi em grande parte moldada por interesses políticos e económicos, especificamente do antigo poder colonial (Nii Kwate Owoo 1970). Estas narrativas coloniais não foram desmanteladas pelas independências ou pelos modernos Estados-nação africanos. Pelo contrário, regimes disciplinares continuam a entravar o trabalho de reinterpretação e reintegração de diferentes sistemas de conhecimento (Hamilton e Leibhammer 2017). Embora desafiado, o museu mantém o seu lugar como instituição colonial moderna (Verran 2021). Este painel incentiva contribuições que discutam maneiras pelas quais os actuais esforços de restituição podem ser transformados com vista a ajudar a superar a colonialidade dos fundamentos epistêmicos e ontológicos do museu moderno. Como a educação e exposições baseadas nas práticas da comunidade abriram novas maneiras de envolver os artefatos e a sociedade que vão além da noção de co-curadoria, mas são transformadoras do museu como lugar de conhecimento? Que novas narrativas seremos capazes de criar quando reintegrarmos esta cultura material perdida em práticas sociais e culturais que reflectem não os gabinetes de curiosidades e as exposições mundiais, mas os Nkisis de família do Congo e as práticas Griot da África Ocidental e não o complexo expositivo moderno (Bennett 1995)? Como podem os debates em torno das colecções antropológicas ser moldados de forma a ligá-las às lutas sociais mais amplas na pós-colónia? Convidamos tanto estudos de caso que trabalhem projetos concluídos ou em andamento e restituições bem como artigos que propõem novas formas de engajar a restituição de conhecimento e do património cultural.

restituição, África, museus, sociedade pós-colonial, memória colectiva